Em tempo que governar é uma atividade arriscada para o
cenário político futuro. A
“mão-invisível” que administra os
gestores da republiqueta bruzundanga.
Na
semana que passou, o cenário político foi
marcado pela inflação de notícias em todos os quadrantes dos poderes
constituintes da república
brasileira. Mais uma vez , os
brasileiros são provocados em sua
covarde apatia, a tomar posição
diante de uma gama de relações contaminadas
em diferentes interpretações das forças
políticas que subordinam a realidade aos
seus interesses comezinhos.
No
primeiro ato, um grupo de senadores com sonhos republicanos, recebem um petição
com milhões de assinaturas de cidadãos brasileiros inconformados com a
eleição e condução à Presidência
do Senado Federal , do senador Renan
Calheiros , fruto de uma harmoniosa combinação entre oportunistas e
pragmáticos em torno da governabilidade do mandato da
presidente Dilma Rousseff.
No
segundo ato, o comemorativo momento do
Partido dos Trabalhadores, marcando seus 33 anos de existência, com o estrelato
das figuras governantes , e, alguns
militantes que usufruem da máquina
partidária em sua pragmática forma de existência. No palco, a estrela-mor, o ex-Presidente da
República , em seus arroubos carismáticos e populistas , com habilidade em seu estratagema para manutenção
do poder de sua criatura , anuncia para toda nação petista , o projeto de reeleição da atual mandatária do
Planalto Central.
A
antecipação do calendário eleitoral produz
dois efeitos preponderantes na atual
gestão da governanta petista. Em primeiro lugar, os resultados econômicos observados
nos dois primeiros anos de gestão, são pífios. Assim, o estrategista do PT, lançou uma “cortina de fumaça” desviando as
atenções do cenário econômico
pessimista, que se traduz
no crescimento econômico decrescente
e na queda do investimento, para
o campo político. Em segundo lugar, tomando as rédeas do processo sucessório, o ex-presidente
antecipou o calendário eleitoral, produzindo o primeiro caso de “pato
manco”, ou seria, “pata manca” , no curso de
um primeiro mandato presidencial.
Importante ressaltar que o termo
“pato manco” , adotado no léxico
político norte americano é utilizado
para designar um presidente
em segundo mandato, sem qualquer ambição
futura.
No
enredo de um calendário eleitoral antecipado,
a ideia forjada fora de contexto
, vai repercutindo em todos os quadrantes da federação brasileira. Na apressada forma de desvirtuar a realidade , o criador e sua criatura, passam dias e noites arquitetando formas precisas de adequar sua
coalização governista ao condomínio de
poder para 2014.
Em
escala regional, nossos governadores
provincianos , acusam o golpe de mestre
do iluminado mentor, e, forçosamente,
acionam suas milícias para arquitetar a sobrevivência política das forças estaduais.
O
descaso com a construção da cidadania
toma conta na deficiente atuação do aparato estatal nos setores mais
demandados pela população - saúde, educação e segurança pública. O aparato governamental em escala federal e estadual,
em deliberada ação para manutenção de suas milícias partidárias coligadas no saque e pilhagem continuada. No cenário
municipal, a miserável condição fiscal, submete todos os mandatários , a condição de esmoleiro rotineiro dos
beneplácitos de governadores ou presidentes, com o inegável “tráfico de
influência” dos representantes políticos.
Neste
tumultuado ano cabalístico, ficamos estarrecidos frente á subserviência de um poder
representativo débil – liderado por um renunciado senador “ficha
suja” na casa senatorial, um
“denunciado” deputado na presidência da
câmara menor, frente
um executivo imperativo, um judiciário moroso
e espetacularizado,
refletida no descrédito da opinião pública, com perda de
representatividade e legitimidade.
Sentimos
esse distanciamento cívico nos movimentos reivindicatórios de combate á
corrupção, e, formas degeneradas da
prática política. Essa apática cidadania
brasileira, permite que desejos autoritários se consolidem na
republiqueta tupiniquim pelas práticas de um populismo rastaquera que entoa o
mantra de “glorificação de oprimidos”.
Nos
sonhos republicanos pueris , somos
manipulados pelos vínculos elitizados do poder,
enredados na liame populista dos enredos
governistas, aceitamos
passivamente nossa covarde condição de cidadão alienado.
Diante
de um calendário eleitoral antecipado, carentes de serviços essenciais básicos,
diante uma miserável condição de existência, nos submetemos ao fatídico
desígnio da servidão condicionada pela
apatia cívica, tal como apontara La Boétie no século XVI “(...) Ver um número infinito de homens não
obedecer, mas servir, não serem governados, mas tiranizados; (...) Sofrer as
pilhagens, a libertinagem , as crueldades..”.
Na
particularizada condição política
que se estabeleceu no calendário pascal brasileiro, os
dirigentes das principais siglas,
em deliberados conchavos interesseiros , abandonaram a gestão ao livre jogo
dos interesses momentâneos, e , os cidadãos atônitos vociferam
silenciosamente aquilo que precisa
ser dito “ Até mesmo os bois gemem sob o
jugo, E os pássaros se lamentam na
gaiola(La Boétie...)”.
Na
venturosa e amadurecida democracia brasileira, os governantes desejosos pela reeleição são transformados em “patos mancos”, sequestrados
por interesses oportunistas de lideranças pragmáticas
em seus arroubos populistas e
megalomaníacos.

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