quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Antecipação Eleitoral, Covardia Cidadã e um Governo “Pato Manco”....



Em tempo que governar é uma atividade arriscada para o cenário político futuro.  A “mão-invisível” que administra os  gestores  da republiqueta  bruzundanga.

Na semana que passou,  o cenário político  foi  marcado pela inflação de notícias em todos os quadrantes dos poderes constituintes da  república brasileira.  Mais uma vez , os brasileiros são provocados  em sua covarde apatia,  a tomar posição diante  de uma gama de relações contaminadas em diferentes interpretações  das forças políticas que subordinam a realidade  aos seus interesses comezinhos.
No primeiro ato, um grupo de senadores com sonhos republicanos, recebem um petição com milhões de assinaturas de cidadãos brasileiros inconformados com  a  eleição  e condução à Presidência do Senado Federal  , do senador Renan Calheiros , fruto de uma harmoniosa combinação entre oportunistas e pragmáticos  em torno da  governabilidade  do mandato da  presidente Dilma Rousseff.
No segundo ato,  o comemorativo momento do Partido dos Trabalhadores, marcando seus 33 anos de existência, com o estrelato das figuras governantes , e,  alguns militantes que  usufruem da máquina partidária  em sua pragmática  forma de existência.  No palco, a estrela-mor, o ex-Presidente da República ,  em seus arroubos  carismáticos e populistas ,  com   habilidade em seu estratagema para manutenção do poder de sua criatura , anuncia para toda nação petista , o  projeto de reeleição da atual mandatária do Planalto Central. 
A antecipação do calendário eleitoral  produz dois efeitos preponderantes  na atual gestão da governanta petista. Em primeiro lugar,  os resultados econômicos  observados   nos dois primeiros anos de gestão, são pífios. Assim,  o estrategista do PT,  lançou uma “cortina de fumaça” desviando as atenções do cenário  econômico pessimista,  que  se traduz  no crescimento econômico decrescente  e  na queda do investimento, para o campo político.  Em segundo lugar,  tomando as rédeas  do processo sucessório, o ex-presidente antecipou  o calendário eleitoral,  produzindo o primeiro caso de “pato manco”,  ou seria,  “pata manca” ,  no curso de  um primeiro mandato presidencial.  Importante ressaltar que o termo  “pato manco” ,  adotado no léxico político  norte americano  é utilizado  para designar  um presidente em  segundo mandato, sem qualquer ambição futura.
No enredo de um calendário eleitoral antecipado,  a  ideia forjada fora de contexto , vai repercutindo em todos os quadrantes da federação brasileira. Na  apressada forma de  desvirtuar a realidade ,  o criador e sua criatura,  passam dias e noites  arquitetando formas precisas de adequar sua coalização governista ao  condomínio de poder para 2014.
Em escala regional,  nossos governadores provincianos ,  acusam o golpe de mestre do iluminado mentor, e,  forçosamente, acionam suas  milícias  para arquitetar a sobrevivência  política das forças estaduais. 
O descaso com  a construção da cidadania toma conta  na deficiente  atuação do aparato estatal nos setores mais demandados  pela população  - saúde, educação e segurança pública.  O aparato governamental em escala federal e estadual, em deliberada ação para manutenção de suas milícias  partidárias coligadas no saque e  pilhagem continuada. No cenário municipal,  a miserável  condição fiscal,  submete todos os mandatários , a  condição de esmoleiro rotineiro dos beneplácitos de governadores ou presidentes, com o inegável “tráfico de influência” dos representantes políticos.
Neste tumultuado ano cabalístico, ficamos estarrecidos  frente á subserviência de um poder representativo  débil  – liderado por um renunciado senador “ficha suja” na casa senatorial,  um “denunciado”  deputado na presidência da câmara  menor,   frente um executivo imperativo, um judiciário moroso  e espetacularizado,    refletida  no  descrédito da opinião pública, com perda de representatividade e legitimidade.
Sentimos esse distanciamento cívico nos movimentos reivindicatórios de combate á corrupção, e, formas  degeneradas da prática política. Essa apática cidadania  brasileira, permite que desejos autoritários se consolidem na republiqueta tupiniquim pelas práticas de um populismo rastaquera que entoa o mantra de “glorificação de oprimidos”.
Nos sonhos republicanos pueris  , somos manipulados pelos vínculos elitizados do poder,  enredados na liame populista dos enredos  governistas,  aceitamos passivamente nossa covarde condição de cidadão alienado.
Diante de um calendário eleitoral  antecipado,  carentes de serviços essenciais básicos, diante uma miserável condição de existência, nos submetemos ao fatídico desígnio  da servidão condicionada pela apatia cívica, tal como apontara La Boétie no século XVI  “(...) Ver um número infinito de homens não obedecer, mas servir, não serem governados, mas tiranizados; (...) Sofrer as pilhagens, a libertinagem , as crueldades..”.
Na particularizada condição  política que  se estabeleceu no calendário  pascal brasileiro,   os  dirigentes  das principais siglas, em deliberados conchavos interesseiros , abandonaram a gestão ao livre jogo dos  interesses momentâneos, e ,   os cidadãos atônitos   vociferam  silenciosamente  aquilo que precisa ser dito  “ Até mesmo os bois gemem sob o jugo,  E os pássaros se lamentam na gaiola(La Boétie...)”.
Na venturosa e amadurecida democracia brasileira, os governantes  desejosos pela reeleição são  transformados em “patos mancos”, sequestrados por interesses oportunistas de lideranças  pragmáticas  em seus arroubos populistas  e  megalomaníacos.

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