![]() |
| By : EGuerini - Salvador |
Carnaval ou Carnival – A festa profana continua nos blocos de poder...
Sob efeito da ressaca carnavalesca , em
tempo de silêncio obsequioso para escolha de um novo pontífice não italiano ...
A
vida começa neste país de “bruzundangas” depois de uma
longa letargia profana. Todos os
brasileiros e brasileiras, cidadãos de primeira ou segunda ordem, no senso comum traduzem seu estado de
espirito , entre os festejos natalinos e o carnaval, todas as festas são
regadas ao prazeroso desejo de encontrar
a felicidade no ócio contemplativo e
especulativo carregado com uma dose de
hedonismo irrefreável.
O ápice das festas bacantes, é nossa maior festa
profana popular - o carnaval . Existe
toda uma organização para o entusiasmo,
a alegria, e, logicamente, o prazer desmedido pela lógica mundana. Na incorporação da democrática celebração,
nosso moderno sistema de produção de necessidades, potencializa os desejos dos consumidores na enésima potência, afinal de contas, estamos
prestes a entrar no martírio do jejum quaresmal. É tradição
da cultura tupiniquim ser
hospitaleira, cordial , conciliar os interesses opostos seja na dor
ou na alegria. A alegoria
carnavalesca, suas máscaras e
representações , alicerçada na capacidade
satírica, emolduram todas as avenidas das grandes cidades, onde
os desfiles de personagens que
assumem suas fantasias por tempo
limitado são movidos pelos prazeres
mundanos.
Na democracia social brasileira , as diversas linhagens da cultura
popular e pagã são incorporadas pela
elite funcional da “terra brasilis”.
Todos agora submetidos pela ditadura da “felicidade a qualquer preço”, os meios para se alcançar essa inquieta e demoníaca vontade humana, são
o lazer, a dança e os jogos. Dai, a
síntese perfeita para gerar uma
embriaguez cotidiana para os problemas visíveis da mercantilização do carnaval.
Se um velho sambista da velha guarda
das escolas de samba carioca comenta: não é que o carnaval seja ruim, é que ele está
chato(sic), quem somos nós para
contestar tal afirmação. A
riqueza, a diversidade, a alegria, são
substituídas pela massificação
mercantilizada que traduzem um
retrato do Brasil atual nas palavras do presidente do Olodum, João Jorge; “Ele é um
Carnaval discriminatório, segregado, com mecanismos que reproduzem o
capitalismo brasileiro: a grande exclusão da maioria em beneficio de uma
minoria.”
Na benesse histórica permitida
de seis dias prazerosos, inflacionados pela mercantilização dos desejos
carnais, temos um desfile de beldades,
de corpos e trejeitos esculpidos nas belas academias, somos premiados com
um eclético show de ritmos, sertanejo, axé, e-music, brega, rock, e, pouquíssimo samba. Finalmente,
chegamos ao êxtase com as transmissões “ao vivo” das escolas de samba
“no maior espetáculo da terra”, com sambas-enredo sendo negociados com
governos, corporações e personalidades,
toda festa financiada por cervejarias – que disputam ponto a ponto , um
naco de mercado. Para isso, nada melhor que usar “mulheres desejosas” para dar
gosto ao paladar do sedento consumidor.
A tríade da sociedade
mercantilizada – manipular- padronizar-cretinizar (Lipovestky, 2007), neste
espetáculo eufórico, encontra sua penía
culminante. Nos próximos 359 dias, teremos que conviver com um “carnaval” de atrocidades cometidas no
cenário político e social brasileiro. A
classe política se investe de suas máscaras para desfilar prazerosamente na
avenida, distribuindo benesses tal como confetes e serpentinas, resultantes do saque, da pilhagem e corrupção de
valores republicanos para manutenção de seu bloco no poder.
Os miseráveis pagãos
brasileiros , agora premidos pela “quaresma cívica”, terão que abdicar dos seus desejos carnais, se lançando no
travessia desértica e árida da ausência de direitos elementares para sua existência
material. Como todo momento de
felicidade depende da qualidade de
nossos prazeres, em espírito de manada
admitimos nossa covardia e servidão para
requisitar o essencial, os direitos
básicos elementares para romper
com a desigual, injusta, machista, racista , sexista sociedade
brasileira. Acrescentemos ao caldo da ressaca após os festejos
carnavalescos, a surpreendente
abdicação papal , deixando a católica nação órfã
de condução espiritual.
Entre o
prazer e a decepção,
nos resta ainda um laivo de esperança , como disse John Stuart Mill, em sua obra sobre o
utilitarismo, fonte luminosa no tempo
presente do hiperconsumo e suas variantes,
“Antes ser um homem insatisfeito, que um porco satisfeito”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Aguardando Moderação